TEXTOS CRÍTICOS

Por uma ética da transformação

Renata Adler desenvolve uma obra em que a transformação não aparece como tema, mas como condição. Seu trabalho se constrói a partir da ideia de passagem, de tudo aquilo que não se fixa nem se encerra, mas se reorganiza continuamente no tempo. Mais do que produzir objetos, a artista investiga processos, estados e deslocamentos, entendendo a prática artística como um campo vivo de transmutação da matéria e do próprio sujeito.

O percurso é sempre mais importante do que a forma final. Materiais atravessados pelo uso, pelo desgaste e pelo abandono, como vidros quebrados, madeiras de poda, metais reaproveitados e resíduos do cotidiano, entram em sua obra não como símbolo ou denúncia, mas como matéria ativa. Esses elementos carregam memória, fricção e história, e são tratados como corpos em trânsito. Em vez de reforçar discursos fáceis sobre sustentabilidade, Renata propõe uma recusa silenciosa à lógica da obsolescência, afirmando a continuidade onde se espera o descarte.

Na série Cacos da Vida, o vidro se torna elemento central dessa investigação. Associado à fragilidade e à ruptura, ele é recolhido, quebrado e reorganizado, revelando um processo em que o fragmento deixa de representar perda para assumir uma condição de potência. As obras expõem um movimento claro de recomposição, no qual a ruptura não é apagada, mas incorporada. A memória do impacto permanece visível, agora reorganizada em outra estrutura de sentido. Não há tentativa de reparação idealizada, mas a afirmação de que aquilo que se quebra pode continuar existindo de outra forma.

Essa lógica se expande na série e instalação Camaleões, onde a transformação assume uma dimensão mais diretamente existencial. O camaleão surge como figura de adaptação e sobrevivência, não como camuflagem passiva, mas como inteligência sensível diante do ambiente. As esculturas, frequentemente dispostas como uma floresta imersiva, criam um espaço de travessia onde corpo, natureza e arquitetura se tensionam. Estruturas verticais em madeira, aço, cobre, acrílico e materiais reciclados evocam árvores, colunas e organismos atentos, como se estivessem em permanente estado de escuta.

Essa postura atravessa toda a sua produção. Ao se aproximar da máxima de Lavoisier, segundo a qual nada se cria nem se perde, apenas se transforma, a artista não faz uma citação científica, mas afirma uma ética. Sua obra não oferece respostas nem propõe soluções. Ela cria estados de atenção. Convida o olhar a reconhecer, nos materiais e em si mesmo, processos contínuos de mudança, adaptação e permanência.

Renata Adler atua em um território onde arte, experiência e pensamento se encontram sem hierarquia. Seu trabalho não busca o impacto imediato nem o espetáculo, mas a construção de espaços de permanência, onde o tempo se dilata e a transformação deixa de ser promessa para se tornar prática cotidiana.

Mariana Bahia
Curadora


EXPOSIÇÃO

O Mergulho, de Renata Adler 

Farol Santander São Paulo
Exposição: de 8 de dezembro de 2023 a 3 de março de 2024

O Mergulho, título da exposição individual de Renata Adler, não é um convite para mergulhar na água, mas uma oportunidade para repensar a consciência. “E se esta fosse não apenas um continente, que parece crescer à medida que o exploramos, mas também a própria imagem do infinito?”, a artista parece estar nos dizendo. Compreender o universo em larga escala, compreender a essência da vida e compreender a nossa própria situação de ser jogado no mundo parecem ser o seu convite para nós. Dessa forma, estaria ela propondo, com a sua grande instalação escultórica imersiva no Farol Santander, uma síntese entre conhecer o mundo e conhecer a si mesmo, a fim de se transformar para melhor?

“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, Lavoisier

A transformação perpétua é um leitmotiv para Renata Adler, que se apropria da famosa citação de Antoine Lavoisier (1743-1794), o grande químico francês considerado o pai da química moderna: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Através dele, a lei da conservação da energia propõe que a energia não pode ser criada nem destruída, só pode ser transformada de uma forma para outra ou transferida de um lugar para outro. Esta é a mensagem central desta instalação imersiva.

Renata arremata seu pensamento citando o grande filósofo grego Sócrates (- 470/469 – 399): “O segredo da mudança é focar toda sua energia não na luta do velho, mas na construção do novo”. Leva você a reflexões positivas profundas, uma filosofia como forma de viver. Toda abordagem filosófica autêntica não inclui, como momento constitutivo, este questionamento alegre, crítico sem aspereza, aplicado às nossas crenças, ao nosso comportamento e aos nossos estilos de vida? Renata pensa nesta transformação perpétua, que é a essência da própria vida, no sentido da melhoria. É uma linda mensagem que ela envia aos visitantes da exposição do Farol Santander.

Uma floresta de camaleões
“…com o sol entrando pela floresta dos meus camaleões…ecoando transmutação do ser e da matéria, renovando e renascendo a cada instante…” RA

Assim que entra na exposição, o visitante fica submerso numa floresta de móbiles que a artista chama de “camaleões”, uma instalação imersiva que, através de um jogo sutil de materiais refletores, reproduzindo um efeito de espelho, faz perder o sentido de proporção e multiplica a obra de arte. São esculturas em madeira torneada, algumas parcialmente pintadas, às quais a artista acrescenta vários elementos heterogéneos. Para ela, o camaleão não é aquele que se esconde adotando a camuflagem, mas, ao contrário, é aquele que sabe se adaptar a cada circunstância e evoluir para melhor se integrar à vida.

Um inventário ao estilo Prévert?
Jacques Prévert (1900-1977) publica Paroles em 1946. Ele deseja se libertar de todas as regras tradicionais para criar uma poesia próxima da linguagem oral e marcada pelo gosto da anáfora e enumeração. Ele oferece, com o seu inventário, uma espécie de poema-lista, característico do movimento surrealista, em busca do surreal, ou seja, de uma realidade superior em que a importância da liberdade, dos sonhos e da linguagem não estruturada são essenciais. É uma sucessão de imagens sem nenhuma relação óbvia entre si. Prévert brinca com a liberdade de expressão que seu inventário lhe oferece. Ele pode colocar imagens surpreendentes e absurdas lado a lado e recuperá-las aleatoriamente. Com Mergulho, Renata Adler não entrega apenas uma lista aleatória e leve. Seu “inventário” de camaleões parece observar de cima a evolução do mundo contemporâneo.

Os materiais que utiliza são portas de entrada para repensar este mundo em perpétua transformação com os seus futuros possíveis e as suas preocupações. Muitos tipos de madeira aparecem na sua obra: a madeira de oliveira (um dos símbolos mais antigos do mundo, inalterável ao longo do tempo e de valor atemporal. O simbolismo da oliveira é paz, fertilidade, sabedoria, imortalidade, prosperidade e sucesso), cajá mirim, abacateiro, jabuticabeira (rica em antioxidantes), fênix (símbolo da ressurreição que espera os defuntos após a pesagem das almas), semente de urucum (fruta vermelha nativa da América Tropical, usada em pinturas corporais, culinária e medicina. Na língua mebêngôkre dos indígenas Kayapós, o urucum designa uma planta sagrada, chamada de pykoré, que carrega o símbolo da abundância), semente de palmeira (símbolo da ressurreição, associada ao paraíso, a Cristo, à ave fênix).

Os camaleões, todos diferentes, são também constituídos de máscara recicladas e pigmentos, olho de gato (sinalização de trânsito), conduíte de elétrica, remédios vencidos, microplásticos, plásticos, escovas de dente, cotonetes, mangueiras, brinquedos, catálogo/livro, garrafas de vidro, cabos náuticos, cobre de sucata de ar-condicionado e luminárias, apara de espelhos, aços e acrílicos…tudo o que se encontra hoje na Ilha de Plástico, o sétimo continente, que a sociedade de consumo está legando às gerações futuras.

Ela não quis intitular todos os seus camaleões, mas, quando o faz, é para nos deixar mensagens, como garrafas no mar confiadas às ondas aleatórias dos nossos pensamentos: Microplástico (em homenagem ao documentário Plastic Ocean), Pandemia, Sol, Lua, Tarja Preta (comprimidos, remédios), A Cura, Renovação da Vida, Reflexo da Alma, Estado líquido…

O passeio nesta floresta de 272 camaleões termina diante de uma instalação de aquários que recebe projeções que são como sopros de vida nesses pedaços isolados de mar.

As transformações da exposição O Mergulho, que Renata Adler propõe aqui, fazem então parte de suas interrogações artísticas e filosóficas: movimento, mudança, integração e sincronização, com todos os riscos e incertezas que este tipo de trabalho produz. O movimento tem um lugar essencial na ontologia aristotélica que a inspira, pois é através do movimento que o filósofo será levado a reconhecer “a diversidade das acepções do ser”. Para os primeiros gregos, o movimento era, por excelência, o fluxo, o indefinido, o ilimitado… um caos insondável onde o melhor sempre pode acontecer.

Marc Pottier
Curador


EXPOSIÇÃO

  

Casa de Cultura Laura Alvim, Rio de Janeiro
Exposição: de 8 de fevereiro a 31 de março de 2019


Quem entra na Casa de Cultura Laura Alvim é confrontado com os últimos Camaleões da escultora Renata Adler, nesta exposição individual da nova artista carioca. Mas aqui ela não quer realmente falar de um animal acrobata que tem um olho capaz de observar o chão enquanto o outro olha para o alto, uma língua que avança qual uma mola para capturar um inseto e uma proverbial facilidade para mudar de cor. Sua exposição vai mais longe e se intitula “Uma Contínua Transformação”.

Seus “camaleões” são esculturas de finas colunas de madeira torneada que recebem diferentes formas redondas e planas e são pintadas em partes. Por vezes, aparecem elementos metálicos ou pequenos espelhos que vêm contrariar a verticalidade da obra. Elas surgem do chão, caem em chuva do teto ou parecem perfurar os muros, lembrando o ritmo das lanças que podemos observar na obra A Batalha de San Romano, que Paolo Uccello pintou por volta de 1456. Os “camaleões” de Renata compõem, pelas paralelas, perpendiculares e oblíquas que formam em sua apresentação, uma construção de retas cujo ponto de fuga desaparece à vista do espectador, imergindo-o nesta exposição-instalação. O conjunto vibra num ambiente geral branco, das janelas que nos mergulham na energia da praia de Ipanema às salas escuras que incitam o público a se concentrar nas esculturas e no vídeo projetado sobre uma parede de tecidos de bronze.

As transformações que Renata Adler propõe aqui fazem parte de suas interrogações artísticas e filosóficas: movimento, mudança, integração e sincronização, com todos os riscos e incertezas que este tipo de trabalho produz. O movimento tem um lugar essencial na ontologia aristotélica que a inspira, pois é através do movimento que o filósofo será levado a reconhecer “a diversidade das acepções do ser”. Para os primeiros gregos, o movimento era por excelência o fluxo, o indefinido, o ilimitado… um caos insondável.

Observando as obras da artista, não podemos aliás deixar de pensar também nos lingans. Para mergulharmos novamente nos símbolos, e particularmente naqueles ligados à cultura indiana, o lingam, sempre armado e, portanto, potencialmente criador, é frequentemente associado ao yoni (“lugar”), símbolo da deusa Shakti e da energia feminina. Neste caso, sua união representa, à imagem de Shiva, a totalidade do mundo. Assumindo as funções criadoras pelo lingam e a função destruidora tradicional, Shiva representa, assim, o Deus por excelência. Renata esclarece: “Tudo é uma questão de transformação para mim. Nos meus ‘camaleões’, ouso evocar livremente a Anima e o Animus de que fala Carl Gustav Jung em sua obra Eu e o inconsciente. Como artista, como mulher, falo aqui do meu lado masculino e do meu prazer ao me confrontar com um trabalho físico de escultor, ainda que, no resultado final, minha obra, com suas madeiras torneadas e roliças, sublinhadas por anéis pintados com cores, seja francamente feminina.”

Renata Adler nos leva bem longe em seu jogo de transformações, e o mito de Prometeu poderia ser também uma alegoria para este trabalho. De fato, nele figuram as duas dimensões inseparáveis da condição humana: a da conquista e aventura de um homem que traça seu próprio caminho, mas também a do medo ancestral de transgredir o proibido, querendo rivalizar com os deuses. Na verdade, podemos constatar que esta tensão permanente entre uma liberdade sem limites à glória do homem e o apego a uma natureza que fixa suas próprias fronteiras está presente na cultura humanista, donde a dificuldade de reconhecer estes limites… Mas o medo de hoje está, de um lado, no poder científico e tecnológico impressionante, e, de outro, no que se convencionou chamar de “crise do futuro”, isto é, a dificuldade de pensar um mundo cada vez mais incerto, onde a referência à ideologia do progresso contínuo está longe de ser óbvia. As obras de Renata Adler apresentadas na Casa de Cultura Laura Alvim, portanto, convidam o público a pensar um mundo em perpétua transformação.

Marc Pottier
Curador


EXPOSIÇÃO

Duas exposições no Rio de Janeiro

Galeria M do Hotel Santa Teresa
de 17 de agosto a 16 de outubro de 2017

Parque das Ruínas
de 2 a 25 de setembro de 2017


Não é por acaso que no seu trabalho, Renata tenta se apropriar da fórmula do famoso químico e filósofo francês do século XVIII Lavoisier, frequentemente apresentado como o pai da química moderna: “Nada se perde, tudo se transforma”.

Isto porque uma das mais importantes pesquisas de Lavoisier foi determinar a natureza do fenômeno de combustão ou de oxidação rápida. O que interessa à Renata é justamente a energia da reação das matérias. Nas suas esculturas em ferro ou outros materiais existe a provocação do estado da matéria e contribuições às revoluções químicas, por vezes técnicas, experimentais e epistemológicas. Sem hesitar ela costuma utilizar elementos incomuns, como por exemplo, o café, que assim acrescentam uma outra dimensão sensorial. Se na obra “Mundos Entrelaçados” ela optou por não agir nos materiais utilizados, deixando-os se transformar sem nenhuma interferência, já nos “Planetas”, ao contrário, pinta sobre eles delicadas paisagens coloridas que irão evoluir ao longo do tempo. Existe a vontade de falar de “impressões” mesmo que suas obras não sejam impressionistas no sentido da palavra. Isto porque, além deste diálogo entre a matéria e a pintura, ela ama também a luz. Ela está presente nos “Planetas” através de leds discretamente colocados atrás das placas trabalhadas. Inspira-se enormemente numa crítica à obra de Claude Monet que dizia: “Claude pintava o que ele via. Se havia vento, ele colocava vento nos seus quadros”. Ela tenta introduzir o cosmos.

Foi justamente este trabalho sobre as energias das matérias que me chamou a atenção quando, dentro do meu hábito de visitar ateliers, eu descobri o trabalho desta artista que surge agora com uma primeira exposição de seus trabalhos.

Renata flerta com o mundo da arte desde a mais tenra infância. Sempre amou pintar, fotografar, inclusive revelando ela mesma as fotos, mas acabou sendo atraída pela escultura. Desde sempre o sistema solar a fascinou. Esta é a razão pela qual a exposição “O Percurso dos Planetas” fala de uma experiência de vida que não é de hoje. Acho que é interessante observar quando ela enfatiza “minha cabeça parece estar nas estrelas, por outro lado, meus pés estão bem fincados na terra”. A palavra cosmos vem do Latim “cosmos” (mundo) e que por sua vez vem do grego antigo “kósmos” (ordem, ordenado). E por extensão significa ordem do Universo. Os planetas, as galáxias e as estrelas de suas obras, não falam apenas de tudo que existe. Tentam propor na verdade uma filosofia que evoca um Universo como um sistema bem organizado. Numa época na qual as novas gerações estão curvadas com os olhos colados nas telas , ela gostaria de convida-los a erguer a cabeça e olhar para um céu que muitos de nós negligenciamos a existência. Quer oferecer uma viagem que vincula as energias da terra. Do riacho que passava pela casa da sua infância, retirava suas inspirações das margens trabalhadas pela natureza. O pequeno mundo microcósmico do Homem e das matérias vivas que utiliza em suas obras, face a face a este Universo macrocósmico é o que ela tenta propor.

Segundo Renata: “Para mim tudo é uma questão de energia e faço referência constantemente aos “chakras”. Se hoje em dia esta palavra é mais conhecida por significar pontos de convergência de canais energéticos, na verdade ela vem do sânscrito e se refere a objetos em forma de disco, entre os quais o sol. No passado, na Índia, eram discos de metais, entre eles, ouro, cobre ou ferro, materiais que gosto de utilizar. Os principais chakras são associados a cores e quando me questiono, vem logo em primeiro lugar o verde, símbolo do coração que bate, o ar e o mistério. Assim meio que inconscientemente, exponho este cordão umbilical de minha obra que liga a vida do Homem aos mistérios do Cosmos”.

As cores são importantíssimas para ela. Como dizia Kandinsky: “As cores são as teclas, os olhos são os martelos e a alma é o piano com suas cordas”. As formas e as cores não são o resultado de simples associações de ideias arbitrárias, mas sim de uma experiência interior que nas suas pinturas abstratas remetem aos sentidos. Costuma trabalhar sobre formas que foram previamente desenhadas e sobre as quais acrescenta as cores, observando o seu efeito subjetivo. Deixa as formas e as cores interagirem na sua própria alquimia. Não tem a pretensão de dizer que se tratam de observações científicas ou objetivas, mas sim de observações totalmente subjetivas e puramente fenomenológicas.

Como Renata diz, “Tudo é uma questão de transformação”. Nos seus “Camaleões”, ousa evocar livremente a ”Anima e Animus” de que fala Carl Gustav Jung em sua obra “Eu e o Inconsciente”. Como artista, como mulher, fala aqui do seu lado masculino e de seu prazer de confronto com um trabalho físico de escultor, mesmo se no resultado final de sua obra com suas madeiras torneadas e roliças, sublinhadas por anéis de cores pintados, seja francamente feminina.

Mas por trás das obras de Renata, as transformações de que gosta de falar, são essas ligações entre a terra do Homem e o infinito do Universo, onde existem as questões fundamentais que todos nós nos colocamos. Neste vasto processo de desencanto aparente do mundo onde a Humanidade não é nem mais o centro, nem a finalidade, nem mesmo uma espécie privilegiada no topo da evolução, quais são as relações entre a Natureza/Humanidade que podemos esperar? Estamos diante de um Universo absurdo, como proclama o existencialismo de Sartre ou aguardando o final uma crise de mutação cósmica, talvez necessária, que dará nascimento a uma nova relação positiva entre o Universo e a Humanidade? E se a queda de nossas ilusões humanas, tão excessivas, servirem para nos reaproximar da realidade e fundar uma relação enriquecedora com a natureza e a imensidão do Cosmos?

Marc Pottier